domingo, 26 de junho de 2011 | By: Cinthya Bretas

PARANÓIA !!! e seus delírios

Segundo a obra “Dicionário de Psicanálise (Roudinesco e Plon)  o termo foi introduzido na nosografia psiquiátrica alemã em 1842 por Johann Christian Heinroth  e a paranóia tornou-se, ao lado da esquizofrenia e da psicose maníaco-depressiva, um dos três componentes modernos da psicose em geral.
 Caracteriza-se por “um delírio sistematizado, caracterizado pela predominância da interpretação e pela inexistência de deterioração intelectual”.  

No “Vocabulário da Psicanálise” de Laplanche e Pontalis encontraremos a definição desse quadro descrito pela psicopatologia psicanalítica como uma: “Psicose crônica, caracterizada por um delírio mais ou menos bem sistematizado, pelo predomínio da interpretação e pela ausência de enfraquecimento intelectual, e que geralmente não evolui para a deterioração.”
Freud desde o início de seus estudos sustentou a separação existente o quadro paranóico de tantos outros quadros delirantes e inclui na paranóia, não só o delírio de perseguição, como erotomania e delírio de ciúme e o delírio das grandezas.

A análise feita por Sigmund Freud a partir do livro de memórias publicado pelo juiz Daniel Paul Schreber se tornou uma referência histórica no campo da psicopatologia. Freud evidenciará as questões envolvidas no delírio de perseguição em sua análise sobre o caso e reconhece em seu delírio uma tentativa de  superar conflitos em relação ao seu complexo paterno. A paranóia assim, segundo a conclusão de Freud, seria um mecanismo de defesa que se dá pela negação e projeção da atração que o objeto de paranóia provoca e pela repulsa diante da atração provocada.
Assim nas manifestações de ciúmes paranóicos e outras decorrentes de distúrbios paranóides existirá a formula: “Eu não amo, odeio-o”, que depois desdobrada se transformaria em “Ele me odeia” e depois ainda “Eu o odeio porque ele me persegue“.

Diz Freud: “A paranóia crônica, em sua forma clássica, é um modo patológico de defesa, como a histeria, a neurose obsessiva e os estados de confusão alucinatória. As pessoas tornam-se paranóicas por não conseguirem tolerar algumas coisas – desde que, naturalmente, seu psiquismo esteja predisposto a tanto”.

 Freud ainda irá acrescentar a esse quadro o mecanismo da projeção: “representação inconciliável com o eu, projetando seu conteúdo no mundo externo”, o que levaria a supor que os paranóicos “amam seu delírio como amam a si mesmos, esse é o segredo“.
Temos ainda que observar que para Freud a paranóia poderia tanto se manifestar ligada a um quadro de esquizofrenia como ainda poderia se constituir em um quadro separado, evidenciando ainda mais a característica de preservação da capacidade intelectual ligada a outros setores da vida do paciente que não estivessem ligados ao seu delírio.

Descrição dos sintomas

Como principais manifestações do quadro de paranóia, poderemos falar em: Delírio Persecutório, Erotomaníaco e de Ciúme. E apresenta como um fator ainda pouco estudado nesse quadro o que ele nomeará como “impulso querelante” onde se apresentará uma crença sistematizada de que é lesado por toda gente assim como impulsos permanentes de ataque a autoridades.
Segundo Fenichel encontraremos aí “um ego que regrediu à ‘inocência’ do estado narcísico primitivo tentando lutar contra os restos de um sentimento de culpa que havia iniciado, como defesa, a regressão. Os conflitos que giram em redor do sentimento de culpa podem representar, em última análise, antigos conflitos com o pai; e combatem-se as autoridades do mesmo modo que se havia(ou não havia) combatido o pai na infância“.
Na base das idéias delirantes a psicanálise de Freud apontará então sempre alguma ordem de tensão existente em torno dos conteúdos homo afetivos de investimento e uma forte ambivalência que alimenta a economia do aparelho psíquico.
Todo mecanismos delirante da paranóia apresentará sempre uma flagrante ambivalência.O superego projetado é re-introjetado e expelido novamente em uma nova projeção agora investida com os conteúdos do ego. Podemos entender isso de forma clara nos delírios onde o paciente vive permanentemente a certeza de ser observado e criticado ou ainda de que todos riem dele.
Resumindo: Os delírios, tal qual as alucinações, são condensações de elementos perceptivos, idéias, recordações, distorcidos sistematicamente, de acordo com tendências definidas, as quais representam desejos instintivos rejeitados, bem como ameaças que vêm do superego. Os delírios também se podem interpretar como os sonhos; revelam, à análise, o ‘cerne histórico’ que se distorceu em delírio“.(Fenichel, 2000)

Para alguns e mesmo em Freud, a origem da defesa paranóica seria ligada a investimentos e bloqueios associados à fase oral.
Fairbain, por exemplo, considera que esta questão se atualiza em todas as modalidades de psiconeuroses, até mesmo nos aspectos e mecanismos da paranóia. Segundo ele: “..os estados paranóides, obsessivos e histéricos – aos que se pode juntar o fóbico – não representam, em essência, os produtos de fixações à fases libidinais específicas, e sim simplesmente uma variedade de técnicas utilizadas para defender o ego dos efeitos provocados por conflitos de origem oral”.(Fairbairn,1952)
Chamamos atenção para a pontuação de Clérambault (1921) pesquisador contemporâneo à Freud, no estudo das paranóias que ele denominou psicoses passionais. O autor classifica e delimita seus tipos como os delírios de reivindicação, na qual o paranóico delira com seu caráter,e os delírios de ciúme e os delírios erotomaníacos estes últimos nos quais o passional delira com sua emoção.Assim o autor estará caracterizando duas qualidades de delírios: delírios passionais e delírios interpretativos. Os primeiros reivindicariam algo e o segundo não.
E o que reivindica o delírio passional ? O amor , é claro.

2 comentários:

byClaudioCHS disse...

QUAL DE MIM SOU EU...?

Aqui, o poeta
não é simplesmente
um gênio do conhecimento
dos sentimentos humanos
Na verdade
não há gênio
(e nem conhecimento)
o que se passa
é que não passo
a palavra
a personagens,
nem empresto a voz
a ilustres heterônimos:
dividem-se, em mim,
dois pólos
que não se comunicam
não dividem o espaço
Cada um,
a seu tempo
preenche-o completamente
assenhoream-se
dominam-no
como se não tivera
outro dono
são pólos inconciliáveis
incomunicáveis
incompatíveis de gênio
senhores de si
e as vezes de mim
me confundem
são cheios de razões
não sei o que sou
são parasitas
alimentam-se
da minha consciência
e só percebo
que não são eu
quando se vão.
Mas... alternam-se
tão rapidamente
que nem tenho tempo
de ser eu mesmo
Eu? Desculpem-me:
quem sou eu?
Não sei...
Só sei que não sou eles
(mas também não sou eu...)
pois no curto espaço
de tempo
em que se ausentam
sou apenas
o vácuo,
vazio absoluto
Deus, olha pra mim...
e cura-me
antes que julguem-me
e condenem-me
porque
ninguém
irá
exorcizar
o que não são
possessões
mas dualidades:
euforia e medo...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

.

byClaudioCHS disse...

Medo...
Vontade de dar um grito,
ou calar-se para sempre
De ficar parado, ou correr
De não ter existido
ou deixar de existir (morrer)
Não há razão quando a mente não funciona
(redundante, não?)
Vão extinguindo-se as questões
mesmo sem respostas
Perde-se, neste estágio,
a vontade de saber.
O futuro é como o presente:
É coisa nenhuma, é lugar nenhum.
Morreu a curiosidade
Morreu o sabor
Morreu o paladar
parece que a vida está vencida
Tenho medo de não ter mais medo.
Queria encontrar minhas convicções...
Deus está em um lugar firme, inabalável,
não pode ser tocado pela nossa falta de confiança
Até porque, na verdade, confio nele
O problema é que já não confio em mim mesmo
Não existe equilíbrio para mentes sem governo
A química disfarça, retarda a degradação
mas não cura a mente completamente
e não existem, em Deus, obrigações:
já nos deu a vida, o que não é pouco,
a chuva, o ar, os dias e noites
Curar está nele, mas, apenas retardaria a morte
já que seremos vencidos pelo tempo
(este é o destino dos homens)
e seremos ceifados num dia que não sabemos
num instante que mira nossa vida
e corre rápido ao nosso encontro lentamente
(ou rasteja lento ao nosso encontro rapidamente?)
Sei lá...
Mas não sei se quero estar aqui
para assistir o meu fim
Queria estar enclausurado, escondido...
As amizades que restam vão se extinguindo
e os que insistem na proximidade
são os mesmos que insistirão na distância,
o máximo de distância possível.
A vida continua o seu ciclo
É necessário bom senso
não caia uma árvore velha, podre, sobre as que ainda estão nascendo.
Os que querem morrer deixem em paz os que vão vivendo
Os que querem viver deixem em paz os que vão morrendo
Eu disse bom senso?
Ora, em estado de pânico não se encontra bom senso
nem princípios, nem razão, nem discernimento,
nem força alguma
Torna-se um alvo fácil
condenável pelos que estão em são juízo
E questionam: onde está sua fé?
e respondo: ela estava aqui agora mesmo...
ela não se extingui, mas parece que as vezes se esconde de mim...
o problema é que, quando a mente está sem governo
(falo de um homem enfermo)
é como um caminhão que perde o freio
descendo a serra do mar...
perde-se o contato com a fé e com tudo o que há...
e por alguns instantes (angustiantes)
não encontramos apoio, nem arrimo, nem chão, nem parede, nem mão...
ah... quem dera, quem dera...
que a mão de Deus me sustente neste instante...
em que viver é tão ou mais difícil que conjugar todos os verbos...
porque sou, neste momento
a pessoa menos confiável para cuidar de mim mesmo...
tenho medo, medo...
medo de perder o medo
de sair da vida pela porta de saída...
medo de perder o medo
de apertar o botão "Desliga"...

http://progcomdoisneuronios.blogspot.com

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