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terça-feira, 7 de abril de 2015 | By: Cinthya Bretas

Quatro pensamentos para aplicar ao seu relacionamento e deixar ir o desnecessário.


Todo relacionamento necessariamente causará sofrimento. Dito desta maneira parecerá que desejo unicamente desencorajar os relacionamentos. Na verdade o que busco é justamente o movimento contrário.  O movimento na direção do entendimento do significado daquilo ao que realmente estamos nos engajando quando iniciamos uma relação.
Poderia tentar enganá-los: O amor é lindo. Tudo são flores. Mentira.
Se você já esteve ou esta num relacionamento a mais de uns quatro ou cinco meses sabe perfeitamente disso. Relacionamento é dor. Porque somos humanos e porque estamos expostos a todos os eventos aflitivos que nossas emoções nos causam. Porque temos uma história anterior, antes de encontrar O Amor. E esta história nos maculou.
Ah, o amor... Dói. Porque desejamos ser amados o tanto que amamos, mas nem sequer sabemos o tanto que amamos. Porque desejamos amar muito sim, mas puxa vida.. se o outro se modificasse só um pouquinho pra se adaptar a nós seria tão mais fácil.. 
            Porque se o que o outro diz ou faz não se adéqua àquilo que reconhecemos como provas válidas de amor  ficamos inseguros e confusos.  E às vezes pode ser porque realmente não nos ama o tanto que supomos, mas pode ser unicamente por uma diferença cultural. Educação afetiva é uma coisa variável de pessoa a pessoa. Já falamos disso em vários outros artigos.  
Mas e se não for amor? O que você esta fazendo ai? Insistindo em sofrer?
Ai vem as teorias tragi-cômicas do Amor:
Pessoas deveriam vir com manual. Mas quem lê manual hoje em dia?
Amor deveria ter escola. Mas tem. Você que não gosta de estudar. Fica implicando com o professor. E, exigindo. E, reclamando. Brigas de ego. Orgulho. Vingancinhas... Perdôo. Não perdôo... Queria ser surdo a ouvir isso, você pensa.  E logo responde com uma pior ainda. Vamos ver quem fica por cima. Yeah!!
       Perda de tempo. Como se você tivesse o tempo todo pela frente. Mas não tem. Não teeem!! Mesmo. 
Então, acorda porque este é o primeiro pensamento que ajuda você a ter a dimensão exata da sua perda de tempo. Não há tempo. Você não sabe quanto tempo vai durar sobre a terra. Ou tem? Fechou algum contrato antes de vir com data certinha e lembra? Sorte sua. Os demais, por favor, me ouçam.
Amanhã esta criatura detestada e amada ao mesmo tempo pode não estar ai. Ou você. Vai atravessar a rua e... aparece uma ziquizira qualquer e báu-báu , você já era. Perdeu um tempo ridículo com picuinhas que não levaram a nada. Não perdoou, levou uma vida de revanches infantis. Ficou fuçando watsapp, in box do face, e-mails. Tentando controlar, dominar... e daí o que adiantou? Pronto. De uma hora pra outra você perde. Perde tudo. Porque a vida é impermanência. Do inicio ao fim. Pense nisso também.
Perde-se porque nada pode ser retido para sempre. Quanto mais você aperta a mão, mais escorre entre os dedos. Ou seja, amassa. Fica sem forma o seu amor. Perde. Ou porque o mais precioso dom que é a vida foi tomado de um ou de outro, ou porque o seu amor, saturado pelo controle, pela implicância e outras possíveis mazelas bate asas e voa escolhendo não ser esmagado.
            Trágico? Sim, mas real. A saturação assim como a nossa frágil condição humana são dados reais que podem impedir uma relação de continuar .
            E veja, você talvez tenha tido a sorte de ter nascido perfeitinho (a), saudável. Quem sabe até bem apessoado e mais ainda, inteligente! Que sorte danada! Você veio com um invólucro perfeito para amar. Pode falar, pode ouvir. Pode fazer amor. Já havia dado conta disso? Mas isso também é impermanente, lembre. E aproveite. Mas reflita sobre esta vantagem que é a vida .
Esta aí em frente ao seu notebook, tem seu smarthphone. Sua caminha limpa pra dormir. Chuveiro!
Mas nada disso interessa. É logico que você tem tudo isso! E daí? Onde é que o seu amor esta agora que não atende o Iphone? Porque o seu par insiste em não fazer o que você quer que faça? Você não vai perdoar. Não mesmo.
Você não percebe que esta troca diária com o seu amor segue uma lei inexorável. Toda ação equivale a uma reação. E é assim que você desenvolve suas horas e dias. Você reage. Com intenção de não ficar por baixo, por medo, por arrogância, por ignorância. Você simplesmente dá o troco. De forma agressiva pela palavra ou por atos de retaliação. Ou passiva, se vitimizando. Nunca percebeu? Então perceba.
Às vezes acreditamos que temos o direito de agir e dizer da maneira que achamos melhor e nos esquecemos da lei de causa e efeito. Em algum lugar da trajetória da nossa história de amor o que bateu lá voltará aqui. Implacavelmente.
Então é ai que você se coloca numa sintonia onde a existência amorosa é repetitiva e dolorida. E, o pior,  muito chata. E você simplesmente não sabe como entrou ai. E quer saber pelo amor de deus como faz pra sair disso. A resposta? Consciência.



quinta-feira, 25 de julho de 2013 | By: Cinthya Bretas

Filhos são o fim do casamento ?

Muitos casais vêm até mim apresentando uma dificuldade que denomino sob o empréstimo de um termo jurídico: "erro essencial de pessoa" que talvez fosse mais bem traduzido psicanaliticamente como "erro de sujeito". Nomenclaturas à parte, o que acontece é uma abordagem falaciosa no reconhecimento do outro como parceiro ideal.
Na maioria dos casos, como já destaquei em outros artigos, na verdade, não existe nenhum erro. Trata-se de uma injunção do inconsciente - ou destino, preferindo uma licença poética - que nos leva a buscar ali, onde não podemos ver na racionalidade, aquilo que os olhos da alma pressentem claramente; uma oportunidade de nos confrontarmos através do outro, com nossos demônios mais agrestes e impositivos, espelhos que são das nossas mais primárias experiências no aprendizado do amor com nossa família de origem.
Agrestes, porque difíceis de domar, e impositivos porque atuam através do inconsciente, se revelando de maneira velada, compulsiva e irracional. Espreitam continuamente nossas interlocuções na lida diária com o outro e, se permitirmos, põe tudo a perder.
 Mas existe uma imposição mais difícil que é aquela que emerge quando tudo parece razoavelmente sob controle, o apaixonamento punge e o casal resolve procriar.
Momento delicado, impulso visto como de origem instintiva, rotulado por vezes como uma necessidade e por vezes como uma obrigação a qual, a maioria dos casais aquiesce sem a devida prévia reflexão e sem o mínimo preparo emocional e capacidade de resposta frente às exigências significativas que acompanham a solicitação cotidiana na criação dos filhos. 
Seu nascimento, portanto, proporciona um divisor de águas nas vidas dos casais. Recém-casados ou não, adultos vividos ou não, será sempre um escolha que chegará repleta de reinvindicações que irão  minar múltiplos aspectos da vida do casal. Alguns muitas vezes associados a momentos de uma suposta plenitude decorrente, na verdade, da condição de não comprometimento característica da solteirice e da juventude.
E, obviamente, a mais importante exigência será a da responsabilidade, da habilidade de responder com maturidade frente a estas reinvindicações. Trata-se da habilidade em deslocar suavemente nosso eixo egocêntrico na intenção de um ser que necessita de cuidados. Ou seja, aprender a cuidar. O que para alguns pode ser algo inédito, ou pior, ameaçador e gerador de ressentimentos.
Para o homem é a exigência de se tornar o protetor de dois seres, um frágil pela condição de imaturidade biológica e outro pela condição de fragilidade diante das mesmas exigências que lhes são impostas.
A mulher, que se depara também com um importante desafio, aqui é sobrecarregada de deveres na maternidade. E precisa responder as solicitações de ambos, marido e filho. Com maiores variações de meio cultural a meio cultural, ela acaba sendo mais exigida e menos compreendida.
Será nesta encruzilhada da vida do casal que se revelarão as dificuldades intrínsecas aos acordos afetivos aprendidos nos lares de origem. O que aprendemos de melhor e de pior será destacado a neon quando nossa criança interna se depara com esta outra criança que produzimos e que chega exigindo capacidade de respostas.
Trata-se de um momento de luto para ambos, pois abrimos mão para sempre da nossa condição de filhos, inaugurando o novo patamar de pais.
E se estes princípios internos não estiverem bem resolvidos, obviamente se estabelecerá um problema. Nos depararemos com um conflito que  já se encontrava lá, mas que, será iluminado pelo nascimento deste filho. Somente quando existe um casal de verdade a chegada dos filhos não se torna uma ameaça individual ou à relação. Em primeiro lugar, ocorre uma triangulação  relacional onde antes havia apenas dois.
Motivo de vários estudos psicanalíticos, originando um termo hoje popularizado e usado muitas vezes sem compreensão real da matéria, Édipo, e seu complexo, em sua boa ou má resolução na vida emocional de cada um, terá voz ativa apontando como se arranjou na vida emocional de cada membro do casal e, criando emergências que interferem no futuro da relação. Por conta deste fenômeno, sempre uma ponta deste triangulo amoroso, se  não bem articulado, sofrerá .
Lacan considera esta possível má triangulação ao advertir da maneira mais sintética possível: “O maior serviço que um pai pode fazer para seus filhos é  cuidar de sua esposa”.
Em resumo; a maneira como vivenciamos nossas relações com nossos pais conjugará a maneira com que nos vinculamos aos nossos parceiros e estabelecerá os parâmetros através dos quais vivenciaremos a entrada deste terceiro. Bons pais geram bons filhos que serão um dia, bons pais. Portanto, vale lembrar que é o casal que faz o bebê em sentido real e metafórico.
E na intimidade do casal, se o diálogo maduro não era possível antes, como poderá ser após sua chegada? Se a capacidade de partilhar e investir na relação não existia, de que cartola poderá ser tirada a esta altura? Se as carências e exigências emocionais extrapolavam o que seria pertinente a um adulto, como se arquiteta uma autossuficiência emocional de repente? E mais, se a vida sexual não era satisfatória, e não poderia ser se os itens anteriores estiverem em desequilíbrio, agora, será impossível. E o pequenino, de gaiato no navio, poderá ser culpabilizado por um desequilíbrio que já havia antes.
Nesta triangulação edípica figuramos a entrada da criança como um interventor no suposto equilíbrio da vida amorosa do casal. Ela chega com suas demandas, de cuidados e de amadurecimento dos pais, obviamente, mas, denunciando sem saber a sua real condição e a posição que cada membro do casal ocupa no imaginário afetivo mútuo.O excesso de investimento no filho em detrimento do pai,como uma fuga dos conflitos, o sentimento de rejeição paterno diante da chegada da criança, são algumas das denuncias mais recorrentes .
Os arranjos afetivos saltam, as deficiências e indisposições são delatadas e ai surge o “erro essencial de pessoa” aqui, decorrente da imaturidade emocional de cada um para o Amor. Então a ruptura para a maioria é a solução mais fácil para lidar com tantas variáveis que despontam ao mesmo tempo, criando uma cama de gato intrincada e também exigente.
Amar é um aprendizado continuo. Os filhos são o “doutorado”. Bom seria podermos fazer uma “especialização” antes de passar a esta nova etapa. Mas, se não for possível, o próprio Amor é a solução.Lógico, facilitada com a ajuda de uma boa terapia.




terça-feira, 1 de novembro de 2011 | By: Cinthya Bretas

Eu te compreendo



Eu sei das tuas tensões, dos teus vazios e da tua inquietude. Eu sei da luta que tens travado à procura de Paz. Sei também das tuas dificuldades para alcançá-la. Sei das tuas quedas, dos teus propósitos não cumpridos, das tuas vacilações e dos teus desânimos. Eu te compreendo... Imagino o quanto tens tentado para resolver as tuas preocupações profissionais, familiares, afetivas, financeiras e sociais.
Imagino que o mundo, de vez em quando, parece-te um grande peso que te sentes obrigado a carregar. E tantas vezes, sem medir esforços. Eu conheço as tuas dúvidas, as dúvidas da natureza humana. Percebo como te sentes pequeno quando teus sonhos acalentados vão por terra, quando tuas expectativas não são correspondidas.
E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação atroz em não saberes se amanhã as pessoas que hoje te rodeiam ainda estarão contigo? De não saberes se reconhecerão o teu trabalho, se reconhecerão o teu esforço. E, por tudo isto, sofres, e te sentes como um barco sozinho num mar imenso e agitado. E não ignoro que, muitas vezes, sentes uma profunda carência de amor.
Quantas vezes pensaste em resolver definitivamente os teus conflitos no trabalho ou em casa. E nem sempre encontraste a receptivamente esperada ou não tiveste força para encaminhar a tua proposta. Eu sei o quanto te doem os teus limites humanos e o quanto às vezes te parece difícil uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença toma conta do teu coração.
Eu te compreendo... Compreendo até tuas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram, a tristeza pela incompreensão que te dispensaram, pelas ingratidões, pelas ofensas, pelas palavras rudes que recebeste. Compreendo até as tuas saudades e lembranças. Saudade daqueles que se afastaram de ti, saudade dos teus tempos felizes, saudade daquilo que não volta nunca mais...
E os teus medos? Medo de perderes o que possuis, medo de não seres bom para aqueles que te cercam, medo de não agradares devidamente às pessoas, medo de não dares conta, medo de que descubram o teu íntimo, medo de que alguém descubra as tuas verdades e as tuas mentiras, medo de não conseguires realizar o que planejaste, medo de expressares os teus sentimentos, medo de que te interpretem mal.
Eu compreendo esses e todos os outros medos que tens dentro de ti. Sou capaz de entender também os teus remorsos, as faltas que cometeste, o sentimento de culpa pelos pequenos ou grandes erros que praticaste na tua vida. E sei que, por causa de tudo isso, às vezes te encontras num profundo sentimento de solidão. É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto e te vês envolto numa fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela tua sensação de isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às tuas necessidades e ao teu cansaço. E nesse estado, és envolvido pelo tédio e cada ação ou obrigação exige de ti um grande esforço. Sei até das tuas sensações de estares acorrentado, preso; preso às normas, aos padrões estabelecidos, às rotineiras obrigações: "Eu gostaria de... mas eu tenho que trabalhar, tenho que ajudar, tenho que cuidar de, tenho que resolver, tenho que!...".
 Eu te compreendendo... Compreendo os teus sacrifícios. E a quantas coisas tens renunciado, de quantos anseios tens aberto mão!... E sempre acham que é pouco... Pouca coisa tens feito por ti e tua vida, quase toda ela, tem sido afinal dedicada a satisfazer outras pessoas.
Sei do teu esforço em ajudar às outras pessoas e sei que isso é a semente de tuas decepções. Sei que, nas tuas horas mais amargas, até a revolta aflora em teu coração. Revolta com a injustiça do mundo, revolta com a fome, as guerras, a competição entre os homens, com a loucura dos que detêm o poder, com a falsidade de muitos, com a repressão social e com a desonestidade.
Por tudo isso, carregas um grau excessivo de tensões, de angústia e de ansiedade. Sonhas com uma vida melhor, mais calma, mais significativa. Sei também que tens belos planos para o amanhã. Sei que queres apenas um pouco de segurança, seja financeira ou emocional, e sei que lutas por ela. Mas, mesmo assim, tuas tensões continuam presentes. E tu percebes estas tensões nas tuas insônias ou no sono excessivo, na ausência de fome ou na fome excessiva, na ausência de desejo para o sexo ou no desejo sexual excessivo.
O fato é que carregas e acumulas tensões sobre tensões: tensões no trabalho, nas exigências e autoritarismos de alguns, nas condições inadequadas de salário e na inexistência de motivação, nos ambientes tóxicos das empresas, na inveja dos colegas, no que dizem por trás. Tensões na família, nas dependências devoradoras dos que habitam a mesma casa; nos conflitos e brigas constantes, onde todos querem ter razão; no desrespeito à tua individualidade, no controle e cobrança das tuas ações.
 Eu te compreendo, e te compreendo mesmo. E apesar de compreender-te totalmente, quero dizer-te algo muito importante. Escuta agora com o coração o que te vou dizer: Eu te Compreendo, mas não te apóio! Tu és o único responsável por todos estes sentimentos. A vida te foi dada de graça e existem em ti remédios para todos os teus males. Se, no entanto, preferes a autocomiseração ao invés de mobilizares as tuas energias interiores, então nada posso te oferecer.
Se preferes sonhar com um mundo perfeito, ao invés de te defrontares com os limites de um mundo falho e humano, nada posso te oferecer. Se preferes lamentar o teu passado e encontrar nele desculpas para a tua falta de vontade de crescer; se optastes por tentar controlar o futuro, o que jamais controlarás com todas as suas incertezas; se resolveste responsabilizar as pessoas que te rodeiam pela tua incompetência em tratar com os aspectos negativos delas, em nada posso te ajudar. Se trocaste o auto-apoio pelo apoio e reconhecimento do teu ambiente, então nada posso te oferecer.
Se queres ter razão em tudo que pensas; se queres obter piedade pelo que sentes; se queres a aprovação integral em tudo que fazes; se escolhestes abrir mão de tua própria vida, em nome do falso amor, para comprares o reconhecimento dos outros, através de renúncias e sacrifícios, nada posso te oferecer.
Se entendeste mal a regra máxima "Amar ao próximo como a ti mesmo", esquecendo-te de amar a ti mesmo, em nada posso te ajudar. Se não tens um mínimo de coragem para estar com teus próprios sentimentos, sejam agradáveis ou dolorosos; se não tens um mínimo de humildade para te perdoares pelas tuas imperfeições; se desejas impressionar os outros e angariar a simpatia para teus sofrimentos; se não sabes pedir ajuda e aprender com os que sabem mais do que tu; se preferes sonhar, ao invés de viver, ignorando que a vida é feita de altos e baixos, nada posso te oferecer.
Se achas que pelo teu desespero as coisas acontecerão magicamente; Se usas a imperfeição do mundo para justificar as tuas próprias imperfeições; Se queres ser onipotente, quando de fato és simplesmente humano; Se preferes proteção à tua própria liberdade; Se interiorizaste em ti desejos torturadores; se deixaste imprimirem-se em tua mente venenosas ordens de: "Apressa-te!", "Não erres nunca!", "Agrade sempre!"; Se escolheste atender às expectativas de todas as pessoas; Se és incapaz de dar um Não quando necessário, em nada posso te ajudar.
 Se pensas ser possível controlar o que os outros pensam de ti; se pensas ser possível controlar o que os outros sentem a teu respeito; se pensas ser possível controlar o que os outros fazem; se queres acreditar que existe segurança fora de ti, repito: Eu te Compreendo mas, em nome do verdadeiro Amor, jamais poderia apoiar-te! Se recusas buscar no âmago do teu ser respostas para os teus descaminhos, se dás pouca importância a teus sussurros interiores; se esqueceste a unidade intrínseca dos opostos em nossa vida terrena; se preferes o fácil e abandonaste a paciência para o Caminho; se fechaste teus ouvidos ao chamado de retorno; se perdeste a confiança a ponto de não poderes entregar tua vida à vontade onipotente de Deus; se não quiseste ver a Luz que vem do Leste; se não consegues encontrar no íntimo das coisas aquele ponto seguro de equilíbrio no meio de todas as tormentas e vicissitudes; se não aceitas a tua vocação de Viajante com todos os imprevistos e acidentes da Jornada; se não queres usar o tempo, o erro, a queda e a morte como teus aliados de crescimento, realmente nada posso fazer por ti.
 Se aspiras obter proteção quando o que precisas é Liberdade; se não descobriste que a verdadeira Liberdade e a autêntica Segurança são interiores; se não sabes transformar a frase "Eu tenho que..." na frase "Eu quero!"; se queres que o fantasma do passado continue a fechar teus olhos para a infinidade do teu aqui e agora; se queres deixar que o fantasma do futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu e, provavelmente, não chegará a acontecer; se optaste por tratar a ti mesmo como a um inimigo; se te falta capacidade para ver a ti mesmo como alguém que merece da tua própria parte os maiores cuidados e a maior ternura; se não te tratas como sendo a semente do próprio Deus; se desejas usar teus belos planos de mudar, de crescer, de realizar, como instrumentos de auto-tortura; se achas que é amor o apego que cultivas pelos teus parentes e amigos; se queres ignorar, em nome da seriedade e da responsabilidade, a criança brincalhona que habita em ti; se alimentas a vergonha de te enternecer diante de uma flor ou de um por de sol; se através da lamentação recusas a vida como dádiva e como graça, não posso te apoiar.
Mas, se apesar de todo o sono, queres despertar; se apesar de todo o cansaço, queres caminhar; se apesar de todo o medo, queres tentar; se apesar de toda acomodação e descrença, queres mudar, aceita então esta proposta para a tua Felicidade: A raiz de todas as tuas dificuldades são teus pensamentos negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do passado e para a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam da experiência de contato com teu próprio corpo, com o teu presente, com o teu aqui e agora e, portanto, distanciando-te de teu próprio coração. Tens presentes agora as tuas emoções? Tens presente agora o fluxo da tua respiração? Tens presente agora a batida do teu coração? Tens agora a consciência do teu próprio corpo? Este é o passo primordial.
Teu corpo é concreto, real, presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir dele que se inicia a caminhada para a Alegria. Somente através dele se encaminha o retorno à Paz. Jamais resolverás os teus problemas somente pensando neles. Começa do mais próximo, começa pelo corpo. Através dele chegarás ao teu centro, ao teu vazio, àquele lugar onde a semente germina. Através da consciência corporal, galgarás caminhos jamais vistos, entrarás em contato com os teus sentimentos, perceberás o mundo tal como é e agirás de acordo com a naturalidade da vida.
Assume o teu corpo e os teus sentimentos, por mais dolorosos que sejam; assume e observa-os, simplesmente observa-os. Não tentes mudar nada, sê apenas a tua dor. Presta atenção, não negues a tua dor. Para que fingir estar alegre se estás triste? Para que fingir coragem se estás com medo? Para que fingir amor se estás com ódio? Para que fingir paz se estás angustiado? Não lutes contra teus sentimentos, fica do teu próprio lado, deixa a dor acontecer, como deixas acontecer os bons momentos.
Pára, deixa que as coisas sejam exatamente como são. Entra nos teus sentimentos sem os julgar, não fujas deles, não os evites, não queira resolvê-los escapando deles - depois terás de te encontrar com eles novamente, é apenas um adiamento, uma prorrogação. Torna-te presente, por mais que te doa. E, se assim fizeres, algo de muito belo acontecerá! Assim como a noite veio, ela também se irá e então testemunharás o nascer do dia, pois à noite o sol escurece até a meia-noite e, a partir daí, começa um novo dia. Se assim fizeres, sentirás brotar de dentro de ti uma força que desconhecias e te sentirás renovado na esperança e a vida entrando em ti. Se assim fizeres, entenderás com o coração que a semente morre mesmo, totalmente, antes de germinar e que a morte antecede a vida. E, se assim fizeres, poderei dizer-te então que: Eu te Compreendo e que, assim, tens todo o meu apoio! E verás com muita alegria que, justamente agora, já não precisas mais do meu apoio, pois o foste buscar dentro de ti e o encontraste dentro da tua própria dor!"

por Antônio Roberto Soares - FRC
sexta-feira, 13 de maio de 2011 | By: Cinthya Bretas

O que faz durar um casamento?


            Muitas vezes escuto esta mesma pergunta como se existisse uma formula mágica ou precauções que possam ser tomadas. Não que não existam mesmo precauções. Elas existem, porém só farão “efeito” se forem não, precauções, mas exclusões naturais no repertório de respostas emocionais equivocadas de cada um dos cônjuges.
Assim talvez não possamos falar em coisas que não devemos fazer nem em coisas que devemos evitar, como numa receita, mas de quanto somos capazes de entrar em contato conosco mesmo diante das necessidades naturais que surgem nas trocas afetivas dentro de qualquer relacionamento. De quanto somos capazes de, a partir de um olhar para dentro de nós mesmos, encontrar maneiras saudáveis de responder a estas necessidades e de quanto somos capazes de refletir quando cometemos erros.    
A verdade é que o caminho se faz fazendo. O caminho do casamento também. E deve ser vivenciado com muita autenticidade a cada passo. Pensado, ponderado, contemporizado a cada gesto porque ali não estamos sós, afinal, é uma relação.  E não ache que este pensar, ponderar vai retirar a espontaneidade da relação. Não se trata disso, trata-se da delicadeza no trato com o outro que, devemos lembrar, é o outro escolhido para vivermos, a princípio, o resto de nossas vidas. É importante nos darmos conta de que não estamos diante do espelho entabulando uma relação conosco mesmos, mas estamos diante da diferença que não deve ser rejeitada, transformada ou soterrada só porque não nos faz reflexo. Trata-se de outra vida, outro ser. Outro ser que não é definitivamente nem um de nossos pais, ou de nossos irmãos e tampouco alguém com quem nos relacionamos antes.
Você pode até olhar e ver ali refletido  alguém ou algo conhecido, algo que já viveu e se repete em sua vida, mas na maioria das vezes quem escolhe que se repita é você mesmo.
Mas para poder perceber tudo que podemos fazer sem perceber no trato com o outro é necessário o exercício de autoconhecimento para que, aquilo de sofrido que nos marcou e que fica oculto em nossas memórias, não transborde e se desloque para cada novo relacionamento como uma sina.
Conhecer a si mesmo é poder pensar-se, prever-se dentro das tendências de expressividade afetiva que aprendemos em nossa trajetória de vida. È saber que às vezes resvalamos em nossas dores muito tempo depois que aquilo que as gerou já tenha se ido em nossas vidas.
 Nossa rejeição, nosso medo de ser abandonado de não ser suficientemente amado, que nos fragiliza e nos faz interpretar o outro adiantado, que nos faz querer controlar ou mesmo desejar sumir diante da impotência de lidar  com isto tudo estão aqui pertinho prontos para saltar sobre nossa relação se  não estivermos de sobreaviso, ou seja, se não fizermos um trabalho de autoconhecimento. Um trabalho que nos permita reconhecer antes de tudo estas faltas que carregamos.
Particularmente aqueles que tiveram uma história de muito sofrimento e abandono afetivo deverão se ater a necessidade de procurar auxílio neste processo de aprofundamento no entendimento de quando e porque reagimos emocionalmente da maneira que reagimos.
Quando situações se repetem, quando certas características de nossas personalidades estão constantemente nos fazendo sofrer ou fazer sofrer e perder as pessoas que amamos.Quando nossas escolhas amorosas sempre nos levam a histórias desnecessariamente aviltantes é imprescindível despertar a consciência  daquilo que nos move nestas direções de sofrimento, sem nos darmos conta.
Estas são formas preventivas que antecedem as escolhas do parceiro para uma vida toda. Portanto se voltarmos a pergunta inicial poderemos responde-la não com uma receita ou com uma longa lista de “faça ou não faça”  mas com uma única palavra:Consciência .
Conheça a si mesmo para se conhecer dentro da relação e para ser capaz de  conhecer, ver com realidade e se relacionar verdadeiramente com quem escolheu para esta longa parceria.
sábado, 4 de dezembro de 2010 | By: Cinthya Bretas

Briga entre Irmãos

Briga entre Irmãos
As atitudes mais comuns dos pais e suas complicações
 Alfredo Castro Neto*

   Recentemente, por ocasião do Encontro Anual da Associação Psicológica Americana, um grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan, comandados pela drª Sandra Graham-Bermann procurou provar que as relações conflituosas entre irmãos, marcadas por brigas freqüentes e violentas, podem deixar, como legado, na fase adulta, problemas psicológicos duradouros.
   Na verdade, é normal que irmãos briguem, de vez em quando, durante a infância, mas aqueles que se engajam em conflitos violentos e freqüentes fatalmente experimentarão, no futuro, problemas emocionais duradouros como ansiedade, depressão e auto-estima baixa, independentemente da posição de vítima ou agente dos atritos.

      As pesquisas
   Pesquisas comprovam que as crianças mais velhas são as que mais abusam dos irmãos menores, da mesma forma que as meninas, mais do que os meninos, são vítimas de abusos físico e verbal por parte de irmãos mais velhos.
   Um estudo feito com cerca de 1.700 universitários de Michigan, mostrou que um em quatro estudantes teve, pelo menos, um problema sério de briga com irmãos na infância. Dos estudantes que participaram da pesquisa, 8% se disseram provocadores de brigas. Uma percentagem igual de participantes se revelou vítimas de sérios abusos por parte dos irmãos, enquanto 7% dos universitários afirmaram ser responsáveis por metade das brigas travadas com irmãos.
   Parece ser extremamente difícil persuadir as crianças de que não é agradável bater em pessoas mais fracas. Mas concebe-se que, sob certas condições, elas se persuadirão de que tal comportamento não é apreciável.
   Cada pai ou mãe tem, à sua disposição, um certo número de castigos que vão desde os extremamente suaves até os extremamente severos. Na verdade, quanto mais severa a ameaça, mais a possibilidade de que o menino corrija o seu modo de ser, enquanto o estiver vigiando. Mas ela pode muito bem bater no seu irmão tão logo lhe vire as costas.
   Suponha, entretanto, que o ameaça com um castigo suave ou severo. Em qualquer dos casos, a criança experimenta uma dissonância. Ela sabe que não deve bater no irmão menor e sabe que gostaria muito de bater nele. Quando a criança tem ímpetos de bater no irmão e não bate, faz a si mesma a seguinte pergunta: “Por quê não estou batendo no meu irmão?”.
   Sob uma ameaça severa, ela tem uma resposta pronta, na forma de uma justificativa externa: “Não estou batendo nele porque se o fizer meu pai vai me dar umas palmadas, me pôr no canto e me proibir de ver televisão durante um mês. Portanto, a ameaça severa forneceu à criança uma ampla justificativa externa para não bater no irmão enquanto estiver sendo vigiada.
   Por esse motivo, se dermos às crianças a oportunidade de construir suas próprias justificativas internas pode ser um longo caminho para ajudá-las a desenvolver um quadro permanente de valores.
   As famílias que parecem ter as crianças menos agressivas aparentam ser aquelas onde se pratica uma combinação de não-permissividade, não-punição e não-rejeição. Elas tentam evitar o desenvolvimento de situações potencialmente explosivas e evitam as discussões e brigas separando as crianças antes que elas comecem a brigar; mas quando ocorre uma agressão não são severamente punidas.
   Na verdade, a punição pela agressão em si não a diminui. Compreendo que muitos pais pensam que surrar uma criança porque ela bateu no seu irmão é uma forma eficiente de contornar a situação e que isto torna a agressão menos provável da próxima vez. Mas parece não ser isto o que ocorre.
   As crianças que foram, consistentemente, punidas por suas agressões podem, de fato, ser mais agressivas do que as que não foram punidas, por ser a punição uma forma de frustração que provoca futuras agressões ou por esta ser, em si, uma forma de agressão: “Quando a mamãe está zangada, ela bate em mim, então quando eu estou zangado eu, também, posso bater”.
   Os pais que usam castigos severos para deter a agressão de uma criança, tendem a ter filhos que, não sendo muito agressivos em casa, apresentam uma grande dose de agressão na escola e nas brincadeiras fora de casa.
   Por outro lado, a permissividade em relação à agressão parece exibir uma relação mais estreita com a agressividade. As crianças cujos pais são permissivos em relação à agressão – que a toleram, ao menos dentro de limites – são mais passíveis de ser mais agressivas do que as crianças cujos pais não a permitem.
   As mães que permitem a agressão de seus filhos – física ou verbal – em relação a si próprios, têm filhos que são, consistentemente, mais agressivos durante toda a infância e idade adulta, enquanto que aquelas que não a permitem parecem ter filhos que inibem a agressão, tanto durante a meninice quanto na idade adulta.
   A punição é, freqüentemente, efetiva na redução da quantidade de expressão agressiva, porém, como já frisei, os efeitos da punição dos pais sobre o comportamento agressivo das crianças são complexos, porque à medida que os pais punem, fisicamente, seus filhos, com a finalidade de inibir seu comportamento agressivo, também estão servindo de modelo agressivo.
   Sabemos que agressividade é inerente ao ser humano, pois tem conotações construtivas e destrutivas. Ao mesmo tempo que pode interferir nas relações entre as pessoas e prejudicar a capacidade do indivíduo para cuidar de várias tarefas, pode, também, servir para aumentar todas as facetas da vida. É ingrediente da ambição; é necessária ao desenvolvimento de todas as habilidades; é necessária, também, quando vários potenciais de energia devem ser utilizados. Quanto à criança, lhe é necessária a fim de poder recorrer a esse manancial de energia para aprender a ler, calcular, escrever, brincar, andar de bicicleta e, mais tarde, alcançar sua autonomia.
   As pesquisas têm demonstrado que os conflitos entre irmãos nem sempre refletem um relacionamento conflituoso dos pais. Entretanto, os pais precisam manter os olhos abertos e intervir, buscando ajuda do especialista caso se sintam impotentes diante do problema.
Fonte http://www2.brasil-rotario.com.br/revista/materias/rev938/e938_p26.html


* O autor é psiquiatra infantil e membro do Conselho
Consultivo da Abenepi – Associação Brasileira
de Neurologia e Psiquiatria Infantil – RJ.
terça-feira, 23 de novembro de 2010 | By: Cinthya Bretas

Ciúme




O Verme  
Existe uma flor que encerra
Celeste orvalho e perfume.
Plantou-a em fecunda terra
Mão benéfica de um nume.

Um verme asqueroso e feio,
Gerado em lodo mortal,
Busca esta flor virginal
E vai dormir-lhe no seio.

Morde, sangra, rasga e mina,
Suga-lhe a vida e o alento;
A flor o cálix inclina;
As folhas, leva-as o vento,

Depois, nem resta o perfume
Nos ares da solidão...
Esta flor é o coração,
Aquele verme o ciúme.

Machado de Assis, in 'Falenas'
.





O ciúme no Dicionário de Psicologia (1978, p.53) e descrito como: “Estado emocional caracterizado pela ansiedade, sentimento de amor e desejo de obter a segurança e a ternura que uma segunda pessoa demonstra a uma terceira.” Mas em sua analise etimológica veremos que deriva do latim zelumen e do grego zeloso que faz com que muito o associem a uma prova de “zelo” da relação amorosa. 
Mas quais são os limites entre o normal e o doentio quando se fala em ciúmes? 
Freud dizia que existe um ciúme que pode ser considerado normal.O ciúme será por ele classificado em tipos e graus diferentes. 
O primeiro seria o ciúme devido à concorrência com o rival, e a questão que o embasa é, sobretudo, uma competição com o outro decorrente do medo de perder o objeto de amor, Este tipo de ciúme pode ser observado desde a competição que se estabelece entre irmãos até mesmo aquele que acontece entre conjugues ou namorados. De uma maneira ou de outra, o que está em questão é mais o amor próprio do que o amor ao outro. Trata-se de um amor que se baseia na crença de que não se é suficientemente amado pelo outro e que o outro pode oferecer algo que não se pode oferecer. Este ciúme se apóia numa baixa auto-estima e se esquece de que cada um de nós será sempre único. Nunca ninguém poderá se equivaler a ninguém. Se fosse possível ao ciumento se lembrar disto, perceberia que poderemos sempre superar qualquer diferença.
Neste caso seria importante fazer um profundo  trabalho terapeutico que deverá ser direcionado a decobriri as formas mais primarias de relação afetiva do ciumento,seu aprendizado de amor, por assim dizer, para entender a origem deste sentimento de ser indigno de ser amado.
Nestes casos o ciúme em relação a possíveis rivais percebidos como inferiores geralmente conseguem ter uma modulação razoável, mas, quando se tratam de pessoas percebidas como superiores em algum aspecto como intelectualmente, socialmente, profissionalmente, culturalmente, é comum que emerjam sentimentos terríveis de humilhação e ultraje e o sofrimento desencadeado é muito grande.

O segundo tipo seria o ciúme ocasionado de uma projeção feita sobre o outro de seus próprios desejos de infidelidade, realizados ou não. Assim nosso desejo de cometer uma infidelidade, muitas vezes inconsciente, acaba sendo projetado e começamos a imaginar que nosso par anseia  por ,ou ,já nos está traindo. Este tipo de ciúme necessita muito cuidado ao ser detectado dentro de uma relação uma vez que nos fala de uma insatisfação camuflada que acredita não ser possível encontrar uma saída ou transformação positiva na relação.

Já o terceiro tipo, mais polêmico e difícil de admitir, segundo Freud seria já um ciúme delirante, acompanhado da convicção inabalável da traição do outro e completamente fora de controle, deriva de uma homossexualidade negada, como uma forma de se dizer, inconscientemente, que não é a própria pessoa que ama o rival, mas seu parceiro a quem se atribui a traição. Eis aqui um tipo de ciúme com o qual será necessário um cuidado especial pela delicadeza da questão. Na maioria da das vezes trata-se de um fenômeno completamente inconsciente e gerador de grande tortura uma vez que para estes, por várias questões particulares a história de cada um, a opção de assumir um homossexualismo se apresentou como impossível.

Durante os ataques de ciúme poderemos observar uma mistura de sintomas que variam desde depressão até a agressividade, inveja, ansiedade, angústia e medo de perder o objeto de amor. Todos estes sintomas decorrem de uma baixa auto-estima que necessita ser reconhecida e trabalhada.

Exemplos deste tipo podem ser vistos na literatura e no cinema como em Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, onde Bentinho em seu delírio ciumento termina por perder a razão. O filme L'Enfer (O Inferno) traduzido como Ciúme - O Inferno do Amor Possessivo, filme de Claude Chabrol de 1994, ilustra bem as raias da loucura destrutiva a qual pode chegar um individuo possuído por este ciúme delirante.

Embora alguns acreditem que o ciúme seja algo normal, o dito zêlo que se deve ter na relação a dois, na verdade é um sentimento paradoxal se nos ativermos ao fato de que se trata de uma negação da confiança que é necessária e implícita numa relação afetiva. Mas é importante lembrar que numa relação onde existe o ciúme e o ciumento patológico existe o outro lado que é o sujeito objeto de amor , este que sofre tanto com perseguições e ate mesmo com a agressividade de seu parceiro descontrolado e irracional.
Sua postura também poderá ser percebida como patológica,  pois pode ser de conivência, de instigação provocativa ou de aceitação passiva. Todas elas manifestando uma conexão e identificação inconsciente com uma posição de vitima diante de seu algoz ciumento.

 Quem convive com o sujeito portador deste , como de outros tipos de amor patológico, sem conseguir se desvencilhar deste relacionamento, é também portadora de alguma dificuldade emocional.  Muitas vezes estamos diante de uma relação de dependência mútua onde a suposta vitima também têm baixa auto-estima além de intensos sentimentos de culpa e por conta disto grande dificuldade em se desvencilhar assim como  grande facilidade em atrair relacionamentos complicados.
Este parceiro também necessita ajuda profissional afinal, as relações se estabelecem entre pares e ambos necessitam encontrar seu ponto de equilíbrio pra que a relação possa dar certo.
 Cinthya Bretas
sexta-feira, 12 de novembro de 2010 | By: Cinthya Bretas

Regras para ser feliz no amor?

Criar regras sempre será em termos de trocas afetivas humanas engessar a relação. Então não deveríamos ter regras?Então... Deveríamos antes refletir sobre a questão e suas conseqüências.
Pensar na funcionalidade da existência de regras numa relação afetiva é quase como analisar as diferenças entre o ético e o moral. Isto porque, regras, quase sempre, dentro de uma relação se apóiam sobre princípios morais variáveis e efêmeros como as culturas que as erigem.
O que significa dizer que são construídas muito mais para suprir necessidades de um tipo particular de pensamento, de uma dada sociedade com suas crenças e normas políticas sociais econômicas e religiosas. No mais das vezes a ética resvala nestas regras de conduta relacionais. Resvala e poderá ou não ali se estabelecer como principio norteador.
A ética endereçada às regras de trocas simbólicas nas relações afetivas já chega provida de novos sentidos porque sempre cindida pela particularidade do histórico sócio afetivo de cada um. Mas deveria se precaver de um cuidado flexível, adaptável às situações de acordo com sua demanda.
A ética aqui proporia um principio básico que, aliás, norteia ou deveria nortear todos os movimentos sociais e religiosos: “Faz ao teu próximo como gostaria que fosse feito contigo.”.
Mas aí, estaremos de novo enveredando pelo movediço campo, onde, vários pesos se dissentem a várias medidas.
Se pensarmos numa das principais questões que costumam ser motivo de discórdia e dolo nas relações afetivas sejam elas de ordem afetiva parental vertical (pais e filhos, avós etc.) seja de ordem afetiva horizontal (irmãos, primos, amigos, vizinhos) ou de ordem afetivo–sexual (que seria a entre marido e mulher e namorado e ficante e amante), perceberemos que se enredam principalmente em torno do principio da lealdade.
 Sim, concordamos, esta deveria ser uma regra fundamental, porém a lealdade e suas múltiplas formas serão fontes de discórdia eterna e suas exigências e desdobramentos acabarão por abarcar, se permitido, todas as facetas do comportamento humano.
Exige-se lealdade afetiva. O amor, que deveria ser partilhado, distribuído, adicionado, multiplicado se torna moeda de troca e alvo de disputas entre pais e filhos, entre filhos e membros de casamento defeito, entre sogros e genros e noras, e entre amigos, vizinhos, alunos e até entre colegas de trabalho e chefes.Se o fator erário estiver implicado nos afetos, aí então os ressentimentos tomam vultos pesados.
Todo investimento afetivo precisa ser cuidadosamente dosado para não gerar ressentimentos. Poucos são os que terão a chance de aprender a receber e doar afeto de maneira desapegada. 
Em algumas organizações familiares exige-se lealdade até em escolha de sabores, em cores, times, religiosidade e todo o resto. Como se isto fosse o selo que blindasse contra invasões e garantisse a eternidade do amor entre marido e mulher, embora estranhamente a infidelidade conjugal seja, em algumas fatias da sociedade, a escolha preferida ao invés de se finalizar uma relação falida.
E falando-se em infidelidade, quando a relação implica relacionamento sexual, a fidelidade é uma exigência redobrada. Para alguns núcleos familiares e, pasme-se, também entre pais e filhos. Explico-me: o namoro, o noivo e até o casamento dos filhos terão de passar por crivo de aprovação e exigência. Alguns pais até mesmo se sentem traídos ao descobrirem que seus filhos tiveram sua iniciação sexual.
Alguns temerão este momento, outros tentarão protelá-lo ao máximo ou bani-lo da vida dos filhos e veja que existe como! Já outros a submeterão a regras duras e restritivas quanto à idade adequada, situação adequada, (leia-se antes ou depois do casamento ou noivado) e se possível estenderão também à escolha do parceiro adequado por critérios de raça, religião, condição econômica e social e opção sexual.
A exigência de lealdade aqui apela aos bons costumes, à tradição familiar ou à fuga da critica da sociedade. Afinal, o que os outros vão dizer?
Assim a lealdade e suas exigências poderão se estender a gostos pessoais, questões políticas, aparência, profissão e de repente sem que nos demos conta, se transfigurará em intolerância e prepotência.
Exigimos do ser amado que veja com os nossos olhos, sinta com nosso paladar, toque com a nossa pele e ande com as nossas pernas na direção que achamos ser a certa.
Exigimos que inexista. Tênue sombra que será do nosso EU monumental que a tudo deseja abarcar.
Não, não basta que nos ame é necessário que mantenha uma alta fidelidade, como os long-plays de antigamente, os avós dos CDS.
E esta alta fidelidade exige reprodução perfeita daquilo que pensamos, sentimos, e almejamos. Qualquer discordância é tida como traição.
Então não se deve exigir lealdade? Risca-se a regra?
A lealdade deriva da confiança, é um constructo como outro qualquer dentro de uma relação.
A confiança se inicia em tateios no escuro, se cultiva sobre o árido solo da sinceridade e brota entre os seixos pontiagudos da diferença e as ervas daninhas da intolerância.
E é assim, numa tarefa árdua que ela se faz e desfaz e, mesmo com tanto esforço, pode errar. Porque somos humanos.
E não é nossa confiança que erra é nosso julgamento e nossa necessidade também humana de criar paradoxos.
Porque se de um lado somos moventes e mutantes pela natureza da espécie, sempre buscando expansão e crescimento para não morrer, ao mesmo tempo almejamos imutabilidade e perpetuação, como um ideal de perenidade inalcançável desejamos viver para sempre e viver o amor que não muda e não se acaba.
A lealdade dentro de uma relação deve existir, necessita existir. É ela a urdidura que sustenta a trama cotidiana da relação.A lealdade ética. Já a fidelidade afetivo sexual em sua manutenção é um risco presumido que se assume sabendo-se desde o principio que exige muita capacidade de adequação diante do inusitado,e muita capacidade de renovação.Além de muita vontade e habilidade para manter as almas em movimento ascendente num ritmo compatível. E também muita tolerância diante das discrepâncias de ritmos de crescimento e diante dos impasses impostos pelos aprendizados afetivos da historia de cada um.Aprendizados estes que, certos ou tortos, compõe nosso repertório de respostas emocionais para nossa maior ou pior conseqüência.
Aí, se vacilar, a confiança e a lealdade se perdem. 
Porém se o tal solo de sinceridade sobre o qual deveriam ser plantadas pudesse ser fertilizado pelo amor, tendo nutrido suficientemente o seu cultivo, então a confiança geraria uma profunda lealdade.Uma lealdade que não se abalaria com mesquinharias e que diante de um possível e inevitável desenlace poderia criar um momento de aceitação carinhosa e desprendida, sabendo que o afeto ali cultivado se tornou eterno a despeito de uma impossibilidade de se continuar uma convivência cotidiana, e que o afastamento não significaria necessariamente a perda, mas sim a transformação de uma relação afetiva, e que sim, é possível sermos felizes para sempre, porque seguimos amorosos, confiantes e tolerantes sabendo que os momentos bons vividos juntos sempre superarão as discordâncias e nos acompanharão por toda eternidade.
Portanto, quais são as tais regras afinal?

Sinceridade + Confiança+Tolerância=Amor

Simples, né?